O INIMIGO DO MEU INIMIGO É MEU AMIGO

Tenho lido muitas coisas, especialmente sobre intervenção militar. Há quem sustente que numa democracia referido pedido é inconcebível, posto que atenta contra os vetores alicerçantes dos direitos e liberdades individuais. Para o Ministro da Defesa, Raul Jungmann, quem clama ou defende ideias intervencionistas “(…) agride a sociedade porque querem tirar o nosso direito de escolher os nossos governantes (…)”. Arremata o Ministro dizendo que são coveiros e “abutres da democracia”. Todavia, numa democracia é preciso lembrar que um dos valores supremos é a liberdade e ela outorga ao cidadão, inclusive, o direito de não querer ter direitos ou pelo menos limitar parte dos seus direitos. Os cidadãos que neste momento pedem o regresso dos Militares ao poder, talvez sejam aqueles descritos pelo imortal Rui Barbosa, quando disse: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. Numa guerra desigual onde o oponente (leia-se corruptos) é maior e praticamente imbatível, é comum realizar alianças não muito positivas, e o inimigo do meu inimigo passa a ser meu amigo… Penso que ter ordem
e disciplina é igual cautela e canja de galinha: não faz mal a ninguém. Tenho pelas Forças Armadas brasileiras o profundo respeito e
admiração pelos valores praticados e sei que ainda não é preciso sua intervenção, pois algumas poucas instituições republicanas ainda gemem e agonizam; não sucumbiram por completo. Não ouve o holocausto democrático capaz de por em marcha os militares. Entretanto, se erguer da justiça a clava fortes sei que não fugirão à luta…

Escrito em: 30/05/2018

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